15 de fevereiro de 2018

Três homens num barco, de Jerome K. Jerome

Nem sempre é bom reler um livro. Li pela primeira vez este Três homens num barco em 2011 e adorei o livro, como se pode ler aqui. Ri-me imenso das personagens, das histórias, do modo como são contadas. Por isso agora, com a saída desta nova edição e de Três homens numa viagem (que também já tenho para ler), quis passar pela mesma experiência.

Não posso dizer que não gostei, de todo, continuo a achar piada à ingenuidade daqueles três amigos e às alhadas em que se envolvem. Mas a magia da primeira leitura, da descoberta, já não existe. Se há 7 anos classificara o livro com 4 estrelas, hoje dar-lhe-ia 3.

Em suma, não regresses ao lugar onde já foste feliz, pois ainda que seja o mesmo, para ti já não é o mesmo.

14 de fevereiro de 2018

Novo vício

Sou muito permeável a ficar «viciada» em jogos e passatempos, sejam eles digitais ou não. Nos últimos anos, que me lembre, foi o Candy Crush, os livros de unir os pontos, o 2048, o Farm Heroes, o Loop, o Word Connect... Pego naquilo e depois «é só mais um», até que me apercebo de que já passaram 30 ou 40 minutos e não fiz mais nada. E largo um vício quando conheço outro, sendo que há alguns a que volto de vez em quando, como o Farm Heroes ou os livros de unir os pontos.

A minha última descoberta é o Pigment, que não é um jogo mas uma aplicação para pintar desenhos. Nunca tive muito paciência para os livros de pintar, mas no iPad é outra coisa: não ficamos com dores nos dedos, podemos enganar-nos uma data de vezes e a variedade é melhor. O Pigment está dividido por temas ou tipologias de desenho, alguns pagos, mas diariamente há um grátis. As paletas de cores são giríssimas, podemos escolher várias técnicas de pintura e sim, é verdade que quando estamos naquilo não pensamos em mais nada.

9 de fevereiro de 2018

Do Carnaval na escola

Hoje saí da escola com a sensação de que tinha deixado as miúdas na aldeia dos macacos. Ainda nem tinha chegado à sala delas quando uma mãe se cruza comigo e me pergunta com ar incrédulo: Elas não vêm mascaradas? (traduzido: Que mãe é a senhora que não perdeu a semana a tratar das máscaras que queria que as suas filhas usassem apesar de elas nem sequer perceberem o que está a acontecer?). Lá lhe explico que elas ainda não ligam ao Carnaval, que para o ano já deverão ir mascaradas, que enquanto não for necessário passo a vez...

Chego à sala e deparo-me com um cenário um bocado assustador: os miúdos das salas de 1 e 2 anos todos juntos, palhaços, diabos, princesas e homens-aranha aos berros e aos pulos, dois coelhos gigantes a receber as crianças (= as educadoras). Levaram logo a Luísa para lhe tirarem o casaco, enquanto a Maria ficava à espera, parada no meio da confusão a olhar à volta com um ar entre o espantado e o incrédulo.

Viro costas e venho-me embora, com vontade de as trazer comigo. Provavelmente até se estão a divertir muito, eu é que fiquei com medo. Muito.

6 de fevereiro de 2018

Murros no estômago

Seria assim que classificaria este tipo de campanhas publicitárias, a que ninguém consegue ficar indiferente.

Contra o tabagismo junto de crianças.
Sobre quem pode estar do outro lado de um teclado.
Sobre enviar e ler sms enquanto se conduz.

Sobre a violência doméstica.
Sobre a partilha de imagens nas redes sociais.
Sobre a produção crescente de resíduos.

5 de fevereiro de 2018

Proibido!, de António Costa Santos

Tinha grandes expectativas em relação a este livro, algumas das quais não se cumpriram. Não posso dizer que não gostei, porque encontrei muitas coisas curiosas (a proibição de usar isqueiros, por exemplo, para animar a indústria fosforeira, ou a proibição de jogar às cartas no comboio). Mas também passei por outras que não me espantaram, como a proibição de publicar e ler/ver alguns livros ou filmes, ou de as mulheres irem à igreja com a cabeça descoberta. Nestes casos, o interesse vai mais para os motivos que levaram a essas proibições do que às proibições propriamente ditas.

Curioso, para mim, foi saber das «proibições» atuais, as que o são e as que não o são. Conduzir em tronco nu e de havaianas dá direito a multa? Pois não dá, tal não está escrito em qualquer passagem do código da estrada. Plantar árvores de fruto ou plantas que se possam usar na alimentação no cemitério? Em Borba é proibido. E em Pampilhosa da Serra, os comerciantes do mercado não podem «estar deitados ou sentados sobre as bancas, ou sobre os géneros expostos à venda». Coisas que não lembram ao diabo!

Em suma: é interessante mas podia ter ido muito mais longe, quer nas proibições de outros tempos quer nas atuais.